Muitas situações nos causam tristeza e perplexidade. Elas podem ser desagradáveis e desafiadoras, mas devemos notar se representam, também, oportunidades importantes. As crises costumam ter essa característica, nem sempre evidente.
Uma porta trancada pode ser um grande obstáculo, mas ela significa, também, que ali existe uma passagem, um meio de acesso, que precisa ser liberado.
Por exemplo, José foi vendido pelos irmãos, tornou-se escravo e depois prisioneiro no Egito, mas o desfecho de sua história trouxe a grande oportunidade de salvar sua família no tempo da fome.
Golias, o gigante filisteu que desafiava Israel, tornou-se a grande oportunidade para que Davi despontasse no cenário político da nação.
Estes e outros relatos bíblicos nos mostram situações difíceis, envolvendo oportunidades que exigiriam esforço e perseverança dos servos de Deus.
Vejamos, ainda, as palavras de Jesus aos seus discípulos:
“Mas, antes de acontecer tudo isso, vocês serão presos e perseguidos. Vocês serão entregues para serem julgados nas sinagogas e depois serão jogados na prisão. Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos reis e aos governadores para serem julgados. E isso dará oportunidade a vocês para anunciarem o evangelho” (Lucas 21.12,13).
É importante ressaltar o motivo de tantas adversidades previstas pelo Mestre: “Por serem meus seguidores”.
Eles sofreriam por causa do evangelho e não por terem cometido crimes ou provocado escândalos.
Notemos que a trajetória descrita teria várias etapas:
Perseguição, julgamento nas sinagogas, condenação e prisão, mas não haveria nenhuma interferência divina para livrá-los. Afinal, eles ainda precisavam chegar à presença dos reis.
Serem levados perante as maiores autoridades humanas seria uma grande chance para a pregação da palavra de Deus, mas muitos veriam apenas como risco e ameaça.
Aos olhos humanos, eles seriam levados “para serem julgados”, mas, aos olhos de Deus, seria “para anunciarem o evangelho”.
Precisamos ajustar a nossa perspectiva a respeito das circunstâncias que nos envolvem.
Não estou falando de aceitarmos desafios estúpidos, frutos de provocações inúteis e perigosas, mas de enfrentarmos situações necessárias, ainda que complicadas.
Pode ser um emprego, um negócio ou até mesmo uma internação hospitalar. Fatos bons e ruins serão usados por Deus para a propagação do evangelho, mas isto não significa que vamos provocar problemas para ter oportunidades (Rm.3.8).
Não estamos menosprezando as dificuldades e os sofrimentos da vida, mas precisamos enxergar além das aparências, pedindo que o Senhor nos mostre sua própria visão da realidade que nos cerca.
Lembramos, ainda, a experiência de Paulo. Sendo perseguido e preso por causa do seu ministério, ele foi enviado a Roma para ser julgado por César. E o que ele fez? Chorou e reclamou de Deus? Não!
Durante a viagem, Paulo enfrentou tempestades, sofreu naufrágio e foi parar numa ilha, onde uma cobra o picou. Contudo, Deus o guardou para que chegasse à capital do Império.
Ali, enquanto esperava sua audiência, Paulo ficou em prisão domiciliar, conforme escreveu Lucas:
“E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo; Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (Atos 28:30,31). Mesmo preso, ele pregava com LIBERDADE. A prisão não mudou a essência do seu caráter nem do seu ministério, mas foi utilizada como oportunidade para pregar aos romanos. Ele sabia que ser prisioneiro era condição provisória, mas ser apóstolo era sua missão.
O que vemos como infortúnios que gostaríamos de evitar podem ser acontecimentos necessários, por um propósito maior.
Nesse sentido, o principal exemplo é do próprio Cristo, que não fugiu da cruz, pois sabia que, do seu sacrifício, dependeria a nossa salvação.
Enfim, muitas situações adversas serão valiosas ocasiões, não para o cumprimento dos nossos desejos pessoais, mas para contribuirmos, de alguma forma, com o reino de Deus, sendo este o nosso alvo principal.
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Pr. Anísio Renato de Andrade é analista de sistemas, pós-graduado em Tecnologia da Informação e bacharel em Teologia. Pastor auxiliar na Igreja Batista da Lagoinha e vice-presidente da Associação Oni Movement.

