“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?
E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:6-8).
Depois da gloriosa ressurreição de Cristo, os discípulos estavam maravilhados, e não poderia ser diferente. Aquela manifestação do poder de Deus lhes parecia mostrar que tudo seria possível e imediato, inclusive a restauração do reino de Israel, libertando-o do Império Romano.
Todavia, aquele desejo e expectativa, embora fossem legítimos e bons, estavam distantes do propósito de Cristo para aquele momento histórico. A visão política daqueles homens precisava dar lugar à visão espiritual. Seu foco local precisava ser ampliado para um alcance internacional.
Pelo jeito, eles haviam se esquecido das palavras do Mestre acerca do templo de Jerusalém, quando disse: “Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derrubada” (Lucas 21.6)..
Antes da restauração de Israel, viria grande destruição. A situação dos judeus, antes de melhorar, ficaria muito pior. Tal configuração de fatos, embora peculiar, pode se aplicar, por princípio, a diversos contextos.
Existem processos em andamento que não serão, por nossa própria vontade, alterados ou interrompidos.
(Nesse sentido, vale lembrar o dilúvio e os 7 anos de fome no Egito, que não seriam cancelados por Noé nem por José, ainda que orassem a esse respeito. Contudo, cada um deveria cumprir sua própria missão).
Considerando o poder de Deus manifesto na ressurreição, os discípulos pensaram que, daquele dia em diante, tudo daria certo.
Desse tipo é o raciocínio triunfalista que domina muitos cristãos atualmente.
Entretanto, eles precisavam ouvir o Senhor Jesus, que lhes mostrou seu projeto missionário que, começando em Jerusalém, alcançaria a Judeia, Samaria e todas as nações.
Naquele movimento de expansão evangelística, impulsionado pelo Espírito Santo, Jesus estaria retirando muitos cristãos de Jerusalém. Assim, quando chegasse o ápice da opressão romana, no ano 70, culminando com a destruição do templo e da cidade, a igreja estaria a salvo em outros lugares.
Assim também, o povo de Israel já estava espalhado de tal forma, que nenhum inimigo, por mais poderoso que fosse, teria a capacidade de destrui-los. Muitas vezes, a dispersão, embora indesejável, garante a preservação.
Se pensarmos nos nossos desejos e planos, nem tudo dará certo, mas o propósito divino prevalecerá.
O Senhor tem seus planos e sua hora. Nem tudo acontecerá do nosso jeito ou no nosso tempo.
Estejamos, pois, alinhados aos seus soberanos propósitos, que são muito melhores que os nossos.
Talvez estejamos concentrados em nossas próprias necessidades e projetos, mas o Senhor deseja que, pelo poder do Espírito, que ressuscitou a Cristo, nos voltemos para os seus desígnios, alcançando todos os povos, até aos confins da Terra.
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Pr. Anísio Renato de Andrade é analista de sistemas, pós-graduado em Tecnologia da Informação e bacharel em Teologia. Pastor auxiliar na Igreja Batista da Lagoinha e vice-presidente da Associação Oni Movement.

