Análise do IPC aponta agravamento da crise nutricional infantil em meio à violência, ao deslocamento de famílias e às dificuldades de acesso a alimentos e serviços de saúde.
Mais de 253 mil crianças entre 6 e 59 meses podem sofrer desnutrição aguda no Haiti entre junho de 2026 e maio de 2027. A estimativa faz parte de uma análise divulgada em setembro pelo IPC, conduzida pelo Ministério da Saúde Pública e da População do Haiti com apoio da UNICEF, da FAO, do Programa Mundial de Alimentos, da Organização Mundial da Saúde e de outros parceiros.
Do total estimado, 93.873 crianças podem enfrentar desnutrição aguda severa, condição que pode colocar a vida em risco quando não há tratamento adequado em tempo oportuno. Outras 159.852 crianças devem enfrentar quadros moderados. O levantamento também estima que 25.750 gestantes e mulheres que amamentam precisarão de apoio nutricional durante o período analisado.
Os números representam uma estimativa acumulada de casos entre junho de 2026 e maio de 2027. Por isso, não significam que todas essas crianças estejam sofrendo desnutrição simultaneamente neste momento.
A situação tende a se tornar ainda mais grave nos próximos meses. Entre dezembro de 2026 e maio de 2027, 29 dos 140 municípios haitianos podem alcançar a fase 3 da classificação de desnutrição aguda do IPC, considerada uma situação séria. Cité Soleil e Cabaret têm projeção de atingir a fase 4, classificada como crítica e a segunda mais grave da escala. Essas fases indicam a situação nutricional de uma determinada área e não a condição individual de todos os seus moradores.
Violência amplia a vulnerabilidade
O avanço da violência de grupos armados tem provocado deslocamentos sucessivos e dificultado o acesso das famílias a alimentos, atendimento médico e outros serviços essenciais. Em meados de maio de 2026, aproximadamente 1,47 milhão de pessoas viviam deslocadas dentro do próprio Haiti.
A situação nutricional já vinha apresentando sinais de deterioração. Uma pesquisa nacional SMART divulgada em agosto apontou que a prevalência de desnutrição aguda entre crianças de 6 a 59 meses passou de 5,1% em 2023 para 7,4% em 2026. Isso corresponde a aproximadamente uma em cada 13 crianças nessa faixa etária.
Segundo a UNICEF, a violência prolongada, as dificuldades econômicas e a crise humanitária têm limitado o acesso das famílias a uma alimentação adequada e aos serviços de saúde e nutrição. A entidade, junto à FAO e ao Programa Mundial de Alimentos, defende a ampliação da prevenção e do tratamento, o fortalecimento do acesso a alimentos nutritivos, água segura e atendimento de saúde, além da garantia de acesso seguro para as equipes humanitárias.
A Nations Help no Haiti
A relação da Nations Help com o Haiti começou em 2010, após o terremoto que atingiu o país naquele ano. Desde então, a organização desenvolve ações voltadas ao cuidado de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Atualmente, uma das frentes da Nations Help está localizada em Delmas 31, na região de Porto Príncipe. Ao longo dos anos, o trabalho tem envolvido ações de alimentação, educação, cuidado integral e apoio às famílias. A organização também mantém parceria com a New Life 4 Kids. A atuação em Cité Soleil foi encerrada em 2021 em razão das ameaças e da insegurança provocadas por grupos armados.
Diante do agravamento da crise, a Nations Help reforça o pedido de oração pelo Haiti, especialmente pelas crianças e pelas famílias mais vulneráveis.
Ore por acesso seguro das equipes humanitárias às crianças mais vulneráveis e por provisão diária de alimento e cuidado médico. Para apadrinhar uma criança no Haiti, clique aqui.

