Aos 17 anos, José teve dois sonhos. Em um deles, os feixes de cereais se inclinavam diante do seu feixe. No outro, o sol, a lua e onze estrelas se prostravam diante dele. Embora toda a família tenha entendido o significado dos sonhos, os quais indicavam que José teria uma posição de autoridade, ninguém sabia como aquilo poderia acontecer (Gn. 37).
Aquela foi a forma usada por Deus para vocacionar José, dando-lhe a visão que serviria como guia para a sua vida. A mensagem divina mostrava algo aparentemente absurdo e impossível. Como aquele adolescente poderia dominar sobre seus pais e seus irmãos?
Assim também, Deus ainda chama homens e mulheres para missões incríveis e extraordinárias. Entretanto, o caminho pode ser muito difícil. Depois da revelação, veio o processo que o conduziria ao cumprimento da promessa.
Diante do chamado para o ministério e para o campo missionário, ninguém deve se precipitar, mas apenas se colocar disponível para o que o Senhor quiser. Em todos os casos, haverá uma preparação necessária.
Os fatos ocorridos após os sonhos de José pareciam totalmente contrários ao que Deus havia mostrado. Sendo invejado e odiado pelos irmãos, ele foi vendido como escravo. Servindo na casa de Potifar, veio a acusação de assédio sexual. A consequência foi o seu aprisionamento por alguns (ou muitos) anos.
Entre os sonhos e a realização, 13 anos se passaram. Seria um tempo de trabalho, espera, sofrimento, preparação e amadurecimento. Nesse árduo processo, José se tornou uma pessoa experiente e isto seria muito útil na sua nova posição.
Finalmente, quando chegou o tempo certo, ele foi chamado ao palácio do Egito, onde interpretou os sonhos de Faraó, sendo imediatamente elevado ao cargo de governador.
Assim, José alcançou glória, honra, poder e riqueza, mas nada disso correspondia ao principal propósito de Deus. O mais importante é que ele foi usado pelo Senhor para salvar inúmeras vidas durante os sete anos de fome, incluindo egípcios e povos vizinhos, mas, acima de tudo, a sua família. Aquele maravilhoso livramento garantiria a preservação da nação de Israel.
Então se cumpriram suas antigas visões, quando todos se prostraram diante dele. Sua história, de sofrimento e triunfo, foi assim narrada pelo salmista:
“Mandou perante eles um homem, José, que foi vendido como escravo;
Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros;
Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou.
Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou.
Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda” (Salmos 105:17-21).
Hoje, pedimos a Deus, que ele nos faça perceber claramente a nossa vocação, e que possamos passar com fé, paciência e obediência por todo processo que ele colocar diante de nós. Sobretudo, todos os vocacionados do Senhor precisam ter em mente que o seu objetivo não deve ser a construção do seu próprio reino, mas a salvação de muitas almas, para a glória do Pai.
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Pr. Anísio Renato de Andrade é analista de sistemas, pós-graduado em Tecnologia da Informação e bacharel em Teologia. Pastor auxiliar na Igreja Batista da Lagoinha e vice-presidente da Associação Oni Movement.

